INFLUÊNCIA DA VELOCIDADE DO VENTO E ADJUVANTES NO ESPECTRO DE GOTAS EM APLICAÇÕES AÉREAS DE GLIFOSATO

Os fatores mais importantes a serem considerados para evitar a deriva de glifosato em aplicações aéreas são a velocidade do vento, o tamanho de gotas, a altura de voo e a distância das áreas de restrição. O tamanho das gotas é determinado pelo tipo de ponta, pressão de trabalho, velocidade de voo, ângulo de deflexão e propriedades físico-químicas da calda. O objetivo desta pesquisa foi avaliar o efeito da velocidade de voo e o uso de adjuvantes no espectro de gotas em aplicações aéreas de glifosato. O estudo foi conduzido em um túnel de vento de alta velocidade, no Laboratório de Tecnologia de Aplicação, da Universidade de Nebraska-Lincoln (Nebraska-Lincoln, West Central Research and Extension Center, North Platte).

As aplicações foram simuladas com quatro velocidades de voo (44,4, 52,8, 61,1 e 69,4 m s-1) e a calda contendo glifosato foi utilizada com quatro adjuvantes: HSOC (High Surfactant Oil Concentrate), um agente redutor de deriva à base de microemulsão, um tensoativo não iônico com acidificante e um polímero polivinílico, além de uma calda contendo apenas glifosato. O espectro de gotas foi avaliado usando um sistema de  difração de raio laser Sympatec Helos, a 90 cm da ponta de pulverização (CP11-4015). Foram avaliados o DMV, DV0.1, DV0.9 e a porcentagem de gotas menores que 100 μm. Também foi avaliada a amplitude relativa (A.R), para indicar a homogeneidade do espectro de gotas (DV0.9 – DV0.1) / DV0.5]. As caldas com glifosato e adjuvantes tiveram um DMV maior que a calda contendo glifosato isolado a 44,4 m s-1. Porém, a 69,4 m s-1 apenas a solução de glifosato com polímero apresentou DMV maior. Por outro lado, o glifosato com polímero apresentou o menor DV0.1, e o maior percentual de gotas menores que 100 μm. Geralmente, a influência dos adjuvantes no tamanho das gotas diminuiu ou mudou o comportamento à medida que a velocidade de vento aumentou. O polímero testado neste estudo falhou como um agente de redução de deriva, especialmente em velocidades de voo mais altas. Embora nem todos os polímeros tenham sido testados, precauções devem ser tomadas antes de utilizar estes adjuvantes em aplicações aéreas. A interação da velocidade de voo e dos adjuvantes influencia a o tamanho das gotas em aplicações aéreas de glifosato e deve ser considerado para reduzir o risco de deriva. Mais estudos são necessários para entender melhor a interação entre a viscosidade da solução e o efeito de cisalhamento do ar no processo de atomização e espectro de gotas, bem como confirmar se essas tendências são verdadeiras para outros adjuvantes da classe dos polímeros. Como visto, altas velocidades podem anular o efeito de adjuvantes em aplicações aéreas, bem como aumentar o potencial de deriva.

  • Bruno C. Vieira, Graduate Student, West Central Research andand Extension Center, University of Nebraska-Lincoln, North Platte, Nebraska;
  • Guilherme S. Alves, Graduate Student, Institute of Agricultural Sciences, Federal University of Uberlândia, Uberlândia, MG, Brazil;
  • Fernando K. Carvalho, Researcher, AgroEfetiva, Botucatu, SP, Brazil;
  • João Paulo A.R. da Cunha, Associate Professor, Federal University of Uberlândia, Uberlândia, MG, Brazil;
  • Ulisses R. Antuniassi, Associate Professor, Faculty of Agronomic Sciences, São Paulo State University, Botucatu, SP, Brazil;
  • Greg R. Kruger, Associate Professor, West Central Research and Extension Center, University of Nebraska-Lincoln, North Platte, Nebraska.

Revista: Applied Engineering in Agriculture, v.34, n.3, p.507-513. 2018.

Basta preencher o formulário abaixo para receber o artigo em seu e-mail.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *