URGÊNCIA NO AR: A INSPEÇÃO DA FAIXA DE DEPOSIÇÃO – IFD

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A tecnologia de aplicação desempenha um papel muito importante na qualidade e segurança do tratamento fitossanitário. Uma boa aplicação garante ganhos ao produtor rural, à sociedade e ao meio ambiente, isso graças a possibilidade da redução de custos, a produção de alimentos com maior qualidade nutricional e a redução do risco de deriva (perda de defensivos para fora da área alvo).

Durante as últimas décadas, grandes esforços têm sido feitos por parte da academia (universidades) e empresas privadas para melhorar essa tão necessária segurança e qualidade das aplicações. Parte dos esforços e evolução tem sido concentrada nas aplicações terrestres, e uma quantidade menor à aplicação aérea. Esse fato pode ser observado quando buscamos na bibliografia trabalhos relacionados a esse assunto para cada modalidade.

Por isso, quando o assunto é aplicação aérea, há um campo muito vasto a ser explorado. Tanto os técnicos responsáveis pelas aplicações nas fazendas quanto nas empresas aeroagrícolas têm muitas dúvidas sobre o tema. Dentre estas dúvidas, aparecem com frequência a escolha correta dos modelos de pontas hidráulicas e atomizadores rotativos, assim como a regulagem do tamanho de gotas, através da deflexão do ângulo das pás das hélices desses atomizadores ou do ângulo do corpo do bico hidráulico na barra de pulverização. Outro assunto que gera muita dúvida é a determinação da largura ideal da faixa de deposição (FD), que é a distância entre uma passada e outra da aeronave.

A determinação da FD sempre foi uma tarefa muito trabalhosa, devido a grande quantidade de tempo e de recursos necessários para o uso de sistemas convencionais, como os papeis hidrossensíveis. No entanto, no final de 2017 a empresa de pesquisa e treinamentos AgroEfetiva trouxe para o país uma ferramenta chamada de IFD (Inspeção da Faixa de Deposição). Esta ferramenta permite de forma simples e ágil, que os usuários da aviação agrícola saibam qual a FD ideal para cada aeronave, além de melhorar a uniformidade das mesmas.

Na prática, os resultados da utilização do sistema IFD têm sido impressionantes. Observa-se um reflexo direto em um dos grandes gargalos do setor produtivo que é o rendimento operacional, e da sociedade, que é a segurança das aplicações. Isso se dá por dois motivos, que serão discutidos a seguir.

Um novo horizonte se abre

Durante os dias 05 e 09 de novembro de 2018 a AgroEfetiva, juntamente com o Grupo Inquima, realizaram a Inspeção da Faixa de Deposição (IFD) em mais de 15 aeronaves nas regiões de Lucas do Rio Verde, Querência e Garça Branca – MT. Durante essas atividades participaram empresas de aviação, como a Redex Aeroagrícola e grupos de fazendas, como Grupo Cunha, Fazenda Gabriela, Fazenda Veracruz, Fazenda Rancho Alegre, Grupo DGF e Coacer, Fazenda Rancho Alegre, Fazenda Prediger e Ceolatto.

Durante as atividades, o crescimento em qualidade nas aplicações foi notável. O reposicionamento de bicos, os ajustes de tamanho de gotas e a aferição da vazão individual dos bicos trouxeram muito mais qualidade. Além disso, em boa parte dos casos, maior rendimento às aplicações.

A melhoria no rendimento operacional traz mais lucro ao produtor rural, permite aplicações aproveitando os melhores horários do dia, além da segurança ambiental, principalmente pelas medidas que visam, entre outros fatores, evitar a deriva.

Os ganhos de rendimento nestas ações realizadas pelo Grupo Inquima e a AgroEfetiva (devido ao aumento da FD) foram variados, havendo casos de até 12%. Em muitas situações destacou-se o ganho em qualidade nas aplicações, pela melhor uniformidade das FD. Como exemplo, houve situações onde o Coeficiente de Variação (CV% é o fator que permite avaliar a uniformidade da aplicação na área) era muito alto, com valores de até 35%.

Com os ajustes possíveis através do IFD este CV% foi reduzido, muitas vezes para valores entre 10% e 20%, que são considerados adequados para uma aplicação. Ao mesmo tempo que este trabalho foi um grande passo para os usuários destes serviços, acendeu-se uma luz para a necessidade de ampliação deesforços para que essas melhorias atinjam o maior número possível de aeronaves.

A aviação agrícola dispõe de inúmeras ferramentas importantes para a qualidade e segurança das aplicações, como o programa CAS (Certificação Aeroagrícola Sustentável), a navegação por GPS, o altímetro a laser, os mapas de aplicação (registros dos locais onde as aplicações são feitas) e os adjuvantes.

Entretanto, estas tecnologias precisam estar em sincronia com uma boa faixa de deposição. Em suma, abre-se um novo horizonte para a aviação agrícola brasileira. A segunda maior frota de aviões agrícolas do mundo (menor apenas que nos Estados Unidos, onde o sistema IFD existe há décadas) vai avançar a passos largos. A sociedade e a agricultura agradecem. Tudo indica que é hora de aprimorar e renovar conhecimentos!

Autores:
Dr. Fernando Kassis Carvalho; (1)
Prof. Dr. Ulisses Rocha Antuniassi; (2)
Dr. Rodolfo Glauber Chechetto; (1)
Dr. Alisson Augusto Barbieri Mota; (1)

(1) Pesquisador na AgroEfetiva,Botucatu, SP. fernando@agroefetiva.com.br
(2) Professor na FCA-Unesp, Botucatu, SP. ulisses@fca.unesp.br

Fonte: INQUIMA – TRABALHOS TÉCNICOS

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